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Vamos falar sobre bem-estar e atividade física

Kamila Favarão Adorni

Lazer e atividade física para a paciente com câncer de mama metastático. Dê esse passo para cuidar de você


O câncer de mama está entre as principais causas de mortalidade em todo o mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que sejam diagnosticados no Brasil 66.280 novos casos de câncer de mama em 2020. Graças aos avanços no tratamento, as taxas de sobrevida das pacientes com câncer de mama têm aumentado significativamente ao longo dos últimos anos. 

Ainda assim, a literatura estima que de 6% a 35% das mortes por câncer no mundo poderiam ser evitadas, uma vez que elas são atribuídas ao conjunto de fatores de risco modificáveis, entre os quais a atividade física, que desempenha um papel extremamente importante.

Os benefícios da atividade física já são amplamente conhecidos:

  • auxílio no bem-estar físico e emocional;
  • redução do risco de doença crônica;
  • auxílio na reabilitação de doença;
  • redução de alguns efeitos do envelhecimento;
  • ajuda na manutenção do peso corporal.

 

Entretanto, há diferença entre atividade e exercício físico?

 

Sim. A atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos que resulte em um gasto de energia acima do nível de repouso. Alguns exemplos simples: lavar a roupa, fazer compras no mercado, caminhar até o trabalho. Já o exercício físico é definido como uma sequência de movimentos do corpo, feito de maneira estrutural, planejada, acompanhada por um profissional e que possui um objetivo a ser alcançado. Alguns exemplos: corrida, natação, musculação, ciclismo.

A boa notícia é que, hoje em dia, já está bem estabelecido, tanto na literatura quanto na prática médica, que a atividade física é segura e benéfica para os pacientes em tratamento de câncer de mama ou pós-tratamento. A prática do exercício traz inúmeros benefícios para o paciente que está em tratamento, entre eles:

  • melhora da saúde e minimização dos efeitos colaterais do tratamento;
  • melhora da sobrevida livre da doença;
  • aumento da força muscular e da capacidade aeróbica;
  • redução da fadiga;
  • redução da náusea e das dores;
  • melhora emocional;
  • melhora da qualidade do sono e do sistema imunológico;
  • melhora da qualidade de vida.

 

A literatura mostra que pacientes que se exercitaram durante o tratamento apresentaram menores taxas de recorrência e, muitas vezes, melhores condições físicas que as iniciais. Por isso, mesmo após o processo terapêutico, não desanime e mantenha-se sempre em movimento. A prática de exercício regular e moderado, pelo menos três vezes por semana, pode fazer toda a diferença em sua saúde e em seu bem-estar.

Antes de iniciar os exercícios, temos de ter alguns cuidados:

  • Conversar com seu médico oncologista e ele avaliará seu estado de saúde e verificará qual é o momento ideal para você começar a praticá-los;
  • Após a liberação médica e antes de iniciá-los, é essencial estar orientada e acompanhada de um fisioterapeuta. Esse profissional realizará uma prescrição segura do exercício que seja eficaz e de acordo com sua condição física, de seu momento atual de tratamento e interesse;
  • Outro cuidado importante é a quantidade de exercício, o que é suficiente para você nem sempre o é para o outro. Por isso que a prescrição deve ser feita de forma individualizada. A recomendação das novas diretrizes sugere: exercício aeróbico de intensidade moderada pelo menos três vezes por semana por, pelo menos, 30 minutos e treinamento de força pelo menos duas vezes na semana. O ideal é que sejam supervisionados.

 

Algumas dicas

 

  • Iniciar gradualmente, com atividades mais suaves, como caminhada, e devagar. Aumentar o ritmo lentamente, respeitando os limites do corpo.
  • Fazer regularmente - mais importante que a intensidade do exercício é a sua frequência.
  • O cansaço, às vezes, pode desestimular você, porém o exercício físico, mesmo que em nível de leve a moderado, a ajudará e lhe trará benefícios.
  • Ter objetivos possíveis - incluir exercícios que trabalhem a força, a flexibilidade e a capacidade aeróbica.
  • O exercício ideal é aquele que você, além de gostar, consiga praticar com regularidade, portanto é importante experimentar diferentes tipos de exercícios: caminhada, dança, ioga etc. Caso se sinta melhor, convide os amigos.
  • Ao término da atividade, procurar realizar exercícios de relaxamento, trabalhando sempre a respiração.


Caso você sinta algo fora do normal, pare o exercício e converse com seu médico. Mas não desista. Pode levar algum tempo para que o exercício se torne parte integrante de seu dia. Então, não perca mais tempo e converse já com seu médico a respeito.

Kamila Favarão Adorni é fisioterapeuta pela Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban). Pós-graduada em Aparelho Locomotor do Esporte pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).Mestre em Saúde da Mulher pela Universidade Santo Amaro (Unisa).

 

Referências

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